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Benjamin Netanyahu: controlo absoluto – anatomia emocional de um líder em defesa constante

Como psicóloga, tenho particular interesse em compreender de que forma traços de personalidade moldam comportamentos em contextos de poder. A trajetória de Benjamin Netanyahu, que ocupa cargos de liderança em Israel desde os anos 1990, oferece um exemplo revelador de como vivências familiares, estruturas emocionais profundas e padrões de funcionamento psicológico se refletem na ação política.

Desde cedo, Netanyahu foi influenciado por duas figuras de forte impacto simbólico: o pai, Benzion Netanyahu, um académico com convicções ideológicas rigorosas, e o irmão Yoni, cuja morte numa operação militar em 4 de julho de 1976, em Entebbe, o marcou profundamente. Essa configuração familiar parece ter gerado uma tensão interna entre a necessidade de validação pessoal e o imperativo de corresponder a modelos de heroísmo e excelência.

Sob uma perspetiva psicodinâmica, essa vivência sugere a presença de um superego exigente, que impulsiona uma procura contínua de reconhecimento através do controlo, da liderança e da construção de uma imagem pública forte e decidida.

Traços de personalidade frequentemente associados a Netanyahu incluem elevada conscienciosidade (organização, disciplina), baixa amabilidade (reserva afetiva, desconfiança), e marcados traços de narcisismo e maquiavelismo. Não se evidenciam traços impulsivos, mas sim uma tendência para o distanciamento emocional e para o planeamento estratégico das relações e afetos.

O seu estilo de liderança caracteriza-se por uma forte centralização da narrativa, com ênfase na segurança e sobrevivência do Estado, e uma lógica de alianças políticas marcadamente instrumental. As relações de confiança são seletivas e os espaços de vulnerabilidade mantêm-se cuidadosamente protegidos.

Mecanismos como a intelectualização e a projeção são comuns na sua comunicação: os críticos são frequentemente desqualificados como irracionais ou desestabilizadores, e os erros raramente assumidos de forma direta. A baixa delegação e o controlo minucioso reforçam uma estrutura rígida, que se revela funcional em cenários de crise, mas limitada em contextos de negociação e colaboração.

Este tipo de funcionamento parece responder tanto a exigências internas – como a necessidade de corresponder a um ideal pessoal elevado, como a pressões externas típicas de lideranças em ambientes altamente polarizados e ameaçadores.

Importa sublinhar que esta análise não pretende patologizar, mas ampliar o entendimento sobre como trajetórias pessoais se projetam em modelos de liderança. Compreender os alicerces psicológicos que sustentam o exercício do poder ajuda-nos a refletir criticamente sobre o que valorizamos nas figuras públicas  e sobre os riscos de confundirmos controlo com solidez, ou presença com empatia. Em tempos de incerteza e polarização, talvez devêssemos perguntar: que tipo de força queremos realmente num líder?

Uma análise psicológica pela Dra. Carolina de Freitas Nunes, CEO e Psicóloga na CogniLab.

Dra. Carolina Freitas Nunes

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